O PT ou… Quem foi naninha!, por Raul Monteiro

Foto: Reprodução TV
Irritado com a ausência dos petistas, João Dórea Jr. os chamou de "fujões"
Tempos passados aqueles em que o PT não perdia a oportunidade de, aproveitando o mínimo espaço que fosse, participar de qualquer debate. Via de regra, para atacar, sem dó nem piedade, os adversários. Hoje, acuado por denúncias contínuas de corrupção, as quais já levaram dois de seus tesoureiros à cadeia, o partido se enconde. Ou foge. Foi assim neste final de semana prolongado no tradicional Fórum de Comandatuba, realizado anualmente na Bahia pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).
Conta o repórter Luiz Fernando Lima, de A Tarde, que simplesmente 12 senadores e 18 deputados federais do PT não deram as caras no evento e foram chamados publicamente de “fujões” pelo presidente do Lide, João Dórea Jr. “Fica aqui a nossa repulsa àqueles que não tiveram a coragem de vir debater conosco aqui. Não tiveram a coragem de defender o indefensável. Mas esta recusa é um mal exemplo. A democracia exige debate”, discursou Dórea Jr. para um platéia lotada.
O presidente da entidade organizadora é filiado ao PSDB, segundo o jornal. Mas isto nunca fez diferença para o PT. O partido era mestre em ocupar qualquer espaço, principalmente onde estava o adversário, quando lhe convinha. Com sua conhecida agressividade e defesa intransigente da ética, que reivindicava como se fosse patrimônio exclusivo do petismo na política nacional, partia para cima de qualquer um disposto a ganhar a discussão e, quando possível, destruir o oponente. Tempos passados.
Na edição anterior do Fórum, no mesmo período do ano passado, quando a campanha à presidência da República estava começando, o governador Jaques Wagner (PT) protagonizou debates acalorados com empresários e políticos, como o ex-candidato do PSDB à sucessão presidencial, o senador mineiro Aécio Neves. Wagner fora deixado sozinho no evento pela presidente Dilma Rousseff (PT), que lá não botou os pés. Antecipando que não falava por ela, o então governador conseguiu se impor. Ou pelo menos ser ouvido.
Este ano, alegando compromisso fora do país, o hoje ministro da Defesa escafedeu-se do Fórum. Deve ter imaginado que os últimos acontecimentos lhe impediriam de ter o mesmo desempenho do ano passado. O governador Rui Costa (PT), anfitrião natural do evento que congrega a nata da política e do PIB nacionais, motivo porque deveria prestigiá-lo, também não foi nem mandou representante. Conta o repórter de A Tarde que o senador Walter Pinheiro e os deputados federais Afonso Florence e Jorge Solla foram vaiados com seus colegas do PT no momento em que tiveram os nomes citados.
Quem, um dia, imaginou?
Raul Monteiro
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