“O PSDB não devia excluir o impeachment”, diz senador tucano


Senador Álvaro Dias (PSDB-PR)
A decisão do PSDB de recuar da proposta de pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff está sendo contestada internamente na legenda. Os tucanos temem que a mudança de estratégia repercuta mal nas bases do partidos e entre o eleitorado de classe média, que é o principal alvo das propagandas partidárias. Deputados e líderes citam uma pesquisa do Instituto Datafolha, feita em abril: 63% dos entrevistados apoiam a iniciativa. “O PSDB tem o dever de analisar o impeachment. Precisamos criar uma colagem com as aspirações da população”, diz o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O partido decidiu abandonar a tese do impeachment depois de receber um parecer do jurista Miguel Reale Junior. Ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, ele indicou outro caminho, uma ação penal contra a presidente pelas “pedaladas fiscais”, manobra que consiste em atrasar repasses do Tesouro Nacional aos bancos estatais para o pagamento de benefícios sociais. A forma como a decisão foi tomada causou desconforto no partido. “O PSDB devia dialogar mais e envolver todos os agentes partidários no processo. Essa decisão devia ter sido tomada em conjunto”, diz Álvaro Dias. Ele defende que a sigla trabalhe com as duas alternativas: impeachment e ação penal.
O recuo do PSDB também levou alguns dos principais grupos anti-Dilma a se rebelar contra o partido. “Hoje o PSDB anunciou que não vai aderir a pauta do impeachment, traindo assim os mais de 50 milhões de votos adquiridos na última eleição”, disse um comunicado do Movimento Brasil Livre, responsável pela marcha do impeachment que saiu de São Paulo e chegará à Brasília no dia 27. “O Movimento Brasil Livre vai continuar a sua marcha até Brasília para protocolar o impeachment, pois, diferentes do PSDB, mantemos nossa palavra”, diz outro trecho do comunicado. O MBL também disparou nas redes sociais memes dizendo que “Aécio traiu o Brasil”.
Pedro Vanceslau, O Estado de S. Paulo
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