Presidentes do PSB e do PPS defendem fusão em artigo

Os presidentes do PSB e do PPS, Carlos Siqueira e Roberto Freire, assinam artigo publicado nesta segunda-feira (18) no jornal Folha de S. Paulo em que defendem o sentido histórico da provável fusão entre os dois partidos - que será discutida em congressos das legendas em junho. O texto lembra as origens do PPS, herdeiro do Partido Comunista Brasileiro, o "Partidão", e do PSB, socialista, além de citar a resistência à ditadura, a campanha pelas diretas, a Constituinte e o impeachment de Fernando Collor como situações em que as legendas atuaram conjuntamente. Com essa argumentação, o texto apresenta a fusão como "alternativa real ao atual governo federal", mais do que a união de dois partidos. O artigo destaca que PSB e PPS estiveram juntos na campanha de Eduardo Campos - sem citar o nome de Marina Silva. "É justamente a partir dessa aproximação que prosperou a tese da fusão entre os dois partidos, com intuito de oferecer à nação uma plataforma política conectada com os anseios da sociedade contemporânea e que dialogue com o século 21", diz a publicação. O artigo não usa a expressão "terceira via", mas reforça os conceitos de mudança e renovação na política. "O que a sociedade deseja é encontrar novos atores e novas formas de se expressar e participar", diz um trecho. "A sociedade pede mudança, um novo mundo pede passagem e este caminho já começou", diz outro. Enquanto a ala majoritária do PSB, liderada pelo presidente paulista da legenda Márcio França, defende a lógica histórica e o cenário atual como argumentos para basear a fusão, o movimento desagrada a quadros históricos do partido, como Luiza Erundina (SP), Glauber Braga (RJ) e o secretário sindical do partido, Joilson Cardoso. "Não vejo congruência em uma fusão com o PPS. Eles têm uma postura no Congresso de direita, enquanto nós mantemos uma posição crítica ao governo, mas de independência", disse Joilson à reportagem no fim de abril.


Estadão Conteúdo
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