Dilma derruba o PT

Coluna A Tarde: Dilma derruba o PT
A crise político-econômica brasileira se espraiou de tal modo que o próprio PT perdeu a dimensão da realidade. Ao invés de procurar uma fórmula de amenizá-la  – se ainda seria possível fazê-lo -  o programa que o partido levou ao ar no horário nobre da tevê na última quinta-feira (6) preferiu usar a ironia tola e incompetente. A repercussão gerou o que de certo modo já era esperado: uma onda negativa em todos os principais estados da federação, que se espraiou no dia subsequente, sexta, e ainda continua a repercutir negativamente.

Quem concebeu o programa, poderia tê-lo marcado pela seriedade e por explicações à população, informando que o sofrimento não está somente no povo, mas, sobretudo, no comando da República. Preferiu-se, entretanto, dar lugar ao deboche aureolado por uma comunicação desastrada. A população brasileira acompanha o que ocorre no mundo. Estamos em plena revolução da comunicação que chega aos países das formas mais variadas, resultado da evolução tecnológica.

Mesmo no Nordeste brasileiro, que o PT transformou em curral e onde costuma, ou costumava ir buscar seus votos, a evolução da tecnologia da comunicação está presente. Ficou patente na pesquisa do Datafolha que lançou Dilma Rousseff no pior patamar que se tem notícia depois da nova democracia pós-ditadura, ficando abaixo de Collor, uma figura que a cada momento se torna mais desprezível, mesmo com o passar do tempo. No Nordeste, Dilma ficou apenas a cinco pontos, com 66%, distanciada dos 71% de ruim e péssimo que alcançou na média do país  

O deboche do programa petista, com as presenças da presidente Dilma, de Lula e do presidente nacional do PT, Rui Falcão, os áulicos da comunicação ao avesso do partido, foi buscar no panelaço, protesto presente nas manifestações populares, uma resposta improvável. Em todos os sentidos. Aliás, o panelaço é uma reação popular em diversos países, principalmente na vizinha Argentina.

“Comunicou” o programa: “Nos últimos tempos começaram a dar uma nova utilidade às panelas. A gente não tem nada contra isso. Só queremos lembrar que fomos o partido que mais encheu a panela dos brasileiros. Se tem gente que se encheu de nós [neste ponto o publicitário acertou no alvo], paciência. Mas com  as panelas vamos continuar fazendo o que a gente mais sabe: enchê-las de comida”. Por ora, enche-as de mentiras. É o que se vê.

O certo é que o panelaço começou no país – e as panelas estavam vazias já no início do programa -  aumentou quando veio a incompetente informação segunda a qual, para o PT “enchê-las de comida a gente sabe” . Enchê-las durante a crise que ora se observa é impossível. Dilma já não sabe o que faz ou o que diz.

O que o programa disse não bate com os discursos da presidente para se eleger a presidência pela segunda vez. É claro que, durante a campanha, ela já sabia que iria encontrar dificuldades porque conhecia as contas da República que iria se defrontar no seu segundo mandato. Certamente, não na dimensão que ora se vê, uma crise econômica que se soma a uma crise política que leva o Palácio do Planalto a experimentar seguidas derrotas no Congresso Nacional.

Não se imaginava também que alguns partidos iriam deixar a base aliada, como aconteceu na última quarta-feira com o PDT e o PTB. Nem, tampouco, que o PT minguasse de maneira que está chegando a um ciclo que possivelmente o levará a uma reforma completa das suas ideias; a uma varredura total na corrupção que ganhou vulto na legenda; e uma queda vertiginosa no prestígio do seu principal nome e fundador, Lula. São os fatos. É a história. Que muda acompanhando a realidade dos povos.  

* Coluna publicada originalmente na edição do jornal A Tarde deste domingo (9)
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