Saúde subnotifica casos de microcefalia, segundo estudos da OMS

Foto: Diário do Poder

Antes do surto de zika vírus que o Brasil enfrenta, havia mais casos de microcefalia que o divulgado atualmente pelo Ministério da Saúde, segundo dois estudos divulgados em boletins da OMS (Organização Mundial da Saúde), mostrando que essas estatísticas são falhas, no Brasil. A coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder, vem publicando há duas semanas informações sobre a suspeita de subnotificação da doença no Brasil.
O médico Salmo Raskin, especialista em genética médica e professor da PUC-PR, vai direto ao ponto: “Os dados do Ministério da Saúde são absolutamente inúteis no que se refere à epidemiologia da microcefalia. Melhor que não tivessem porque só serviram para atrapalhar ainda mais o cenário”.
O geneticista Décio Brunoni, professor do programa de pós-graduação em distúrbios do desenvolvimento da Universidade Mackenzie, afirma que ocorre em praticamente todo o País a subnotificação de anomalias congênitas, entre elas a microcefalia, na declaração de nascidos vivos.
As geneticistas Ana Beatriz Pérez e Mirlene Cernach, professoras da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a subnotificação ocorre por vários motivos, inclsive a não obrigatoriedade dos registros e a dificuldade de se fazer o diagnóstico.
Números assustadores
O Brasil teria, na verdade, pelo menos 6 mil casos de microcefalia por ano. Segundo dados do Sisnac, que é o sistema de informações sobre nascidos vivos, citados pela Agência Folhapress, a taxa de notificação de microcefalia no País, até 2014, era de 0,5 caso para cada 10 mil nascimentos. Mas pesquisas de dois grupos do Nordeste mostram taxa muito maior, de pelo menos 20 casos para cada 10 mil.
Nos EUA, a prevalência da microcefalia varia entre 2 e 12 por 10 mil nascimentos. Considerando que lá nascem 4 milhões de crianças por ano, haveria então de 800 a 4.800 casos de microcefalia por ano. Se projetadas as mesmas estimativas para o Brasil, onde há 3 milhões de nascimentos/ano, seriam de 600 a 3.600 casos anuais. Pelas estatísticas oficiais o número de casos seria de 150 ao ano.
No surto atual, iniciado em 2015, foram confirmados 462 casos de microcefalia ou outras alterações do sistema nervoso central, sendo 41 associados à zika. Mais 3.852 registros são investigados.
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