Cotas diminuem abismo entre brancos e negros na educação


Madu Krasny é uma transsexual negra de 18 anos que apoia o sistema de cotas em universidades. Ela vive e convive com a opressão e o preconceito, muitas vezes silenciosos (os mais doloridos), e entende que as vagas reservadas dão oportunidades acadêmicas e profissionais para mais representantes de grupos oprimidos. Curiosamente, a estudante não usufruiu das cotas para passar no vestibular e ingressar em Letras, há seis meses.

“Com as cotas, os negros podem ocupar um lugar que já deveria ser nosso”, defende a jovem, que revela lidar com colegas machistas, racistas e homofóbicos em algumas turmas. “Vejo mais e mais negros na universidade, mas não basta. Temos que estudar mais a história negra. Só se fala sobre Europa, enquanto sobre os negros só relatam a escravidão”, critica.

Seu pensamento segue a lógica de especialistas e ativistas para defender a medida de inclusão, que fez a quantidade de estudantes negros na UnB saltar de cerca de 400, em 2004, para quase 3 mil, no início deste ano. “A cota tem duas faces. Ela olha para o negro e lhe diz que ele é capaz, e mostra para a sociedade branca do que negro é capaz”, contextualiza a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-DF, Indira Quaresma.

Mas a realidade ainda está longe do ideal, como constatam os amigos Diego Castro Magalhães, 26, estudante de Engenharia Elétrica, e João Luis Nascimento, 19, do curso de Geografia. Diego, branco, diz que a maior parte dos colegas de classe tem o mesmo tom de pele, enquanto João, negro, garante conviver com várias pessoas da mesma cor em suas turmas.

O primeiro está em um dos cursos mais disputados do último vestibular, com quase quatro pessoas por vaga, enquanto o segundo está em um espaço menos concorrido, com menos de duas pessoas por vaga. Não é coincidência.

“Desde que entrei, não vi muita diferença no meu curso, mas na universidade, sim”, admite Diego, que está no 12º semestre. Para ele, o contexto histórico que faz com que as crianças brancas tenham mais acesso à educação fundamental de qualidade ainda influenciam bastante os resultados para os cursos de maior procura. “Geralmente, temos mais acesso a cursinhos e coisas assim”, pondera.
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