NOTA: PT expulsa dois vereadores ao apoiarem candidatura do DEM em Salvador


"Ontem o Diretório Municipal do PT, organização para a qual dedicamos nossas vidas, decidiu em um processo extremamente atropelado e numa votação apertada pela nossa expulsão do partido tendo em vista a decisão que tomamos na votação da última eleição para presidência na Câmara de Salvador. 

Felizmente, este processo ainda não está finalizado, mas acho importante aproveitar este espaço de debate para deixar nítida a nossa posição diante do processo.

Em nossa opinião, as movimentações em torno da eleição na Câmara de Vereadores de Salvador segue o mesmo padrão de articulação política que acontece em todo organismo de poder legislativo no Brasil. Dos menores municípios ao Congresso Nacional, nossas bancadas se articulam sempre tendo em vista a possibilidade de ocupar espaços nas instâncias legislativas com o objetivo de permitir que nossos mandatos estejam à frente na condução de discussão de ações e projetos que representem a política e a estratégia do partido nos ambientes institucionais. 

Assim como aconteceu na última eleição na Câmara de Salvador, desde sempre as bancadas petistas se movimentaram no sentido de ocupar assentos na Mesa ou na presidência de comissões da casa. A eleição anterior a esta, por exemplo, o PT articulou apoio a Paulo Câmara (PSDB). E isso nunca impediu nosso partido de protagonizar e participar dos blocos de oposição às gestões da direita na prefeitura de Salvador. 

A maior parte dos impasses decorrentes deste atual processo diz respeito a inúmeros problemas relacionados à falta de diálogo entre a instância municipal do partido e sua bancada. E sabemos que estes problemas por vezes são causados pela falta de disposição entre as partes de debater coletivamente os rumos do partido e as ações que podemos construir conjuntamente para Salvador enquanto organização política. 
   
Justamente por termos esse entendimento, depois de muito refletirmos sobre o processo movido contra nossos mandatos na Câmara, decidimos apresentar no último dia 30 de janeiro, segunda-feira, nossa defesa por escrito na reunião da executiva municipal do PT. O vereador Suíca esteve presente na mesma reunião para ouvir e expressar nossas opiniões não apenas sobre o processo em si, com o qual temos muitas discordâncias, mas também para nos apresentar ao partido como militantes e vereadores absolutamente dispostos à construção coletiva. 

Lá pudemos ter a oportunidade de dialogar de forma tranquila sobre a estranha rapidez com que se deu o processo de expulsão e, ao mesmo tempo, colocar nossos mandatos abertos à necessidade de repactuação na relação política e institucional entre o PT e seus parlamentares.  
  
Reafirmamos a defesa do PT como única organização política partidária capaz de reaglutinar as forças progressistas e de esquerda no país através da liderança incontestável de Lula. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa do projeto representado pelo governador Rui Costa e ex-governador Jaques Wagner na Bahia. Reafirmamos nosso total compromisso com a construção de um bloco de oposição política e social à prefeitura, tal qual fizemos quando estivemos à frente da liderança de oposição junto com os vereadores do PT, do PCdoB, do PSB e demais partidos. Reafirmamos nossa total disposição em constituir novos mecanismos institucionais que possibilitem fortalecer a ação política da bancada petista junto com nossa direção estadual e municipal e nossa militância espalhada pelos quatro cantos da cidade.
  
Nosso partido está passando por um dos momentos mais difíceis de sua história. Acabamos de sofrer um golpe de Estado, sentido pela esquerda em todo o mundo. Nossas bancadas nas Câmaras Municipais diminuíram não apenas em Salvador, mas em todo o país. Não pode ser aceitável que um processo de menos de trinta dias, sem amplo debate e escuta, numa reunião onde até o membro da Executiva Estadual do PT foi impedido de se pronunciar, possa resultar na expulsão de dois vereadores petistas que nunca deixaram de defender e construir o partido. 

Os mais de 16 mil votos que possibilitaram a eleição de nossos mandatos foram conquistados com muito suor e luta de diversos companheiros e companheiras de diversos bairros de Salvador, comunidades da periferia da cidade, e a luta convicta de milhares de trabalhadores e trabalhadoras especialmente do SINDLIMP e do SINDPETRO, categoria nas quais nossa luta foi forjada e às quais temos muito orgulho de representar no parlamento.

Não podemos admitir que a falta de diálogo entre nós nos traga mais uma derrota política na cidade. Os erros precisam ser corrigidos para que tenhamos a capacidade necessária de nos unirmos em torno da luta pela igualdade social, o maior horizonte de nosso partido. Quando o PT perde, os trabalhadores e trabalhadoras também perdem. Esse é o nosso partido, e não abrimos mão dele.  

Este é o único partido que militamos. Não há outro lugar para estarmos. Lutaremos com todas as nossas forças para continuar no PT. Por isso, estamos apresentando um recurso na direção estadual à decisão tomada no município com a intenção inclusive de restabelecer a relação política com o Diretório Municipal e com a esperança que possamos daqui para a frente elevar o patamar na relação política, buscar corrigir erros cometidos de ambas as partes e inaugurar um novo momento na organização do partido em Salvador. "

Luíz Carlos Suíca 
Moisés Rocha
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