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Circula nas redes sociais a afirmação de que um estudo publicado em 2012, atribuído à pesquisadora americana “Dra. Heyi Yang”, teria identificado mais de 1.061 proteínas no sangue menstrual, sendo 385 supostamente “exclusivas” desse fluido. Embora especialistas confirmem que o sangue menstrual possui composição biológica distinta do sangue circulante, não há registro científico desse estudo nem evidências de que tais proteínas sejam exclusivas.

Pesquisadores sérios, no entanto, reconhecem o potencial do sangue menstrual como fonte de células-tronco endometriais, já estudadas em áreas como regeneração de tecidos, reparação celular e processos anti-inflamatórios. O interesse acadêmico nesse material tem crescido, especialmente por se tratar de um fluido facilmente coletado e ainda pouco explorado pela ciência.

Apesar do entusiasmo popular, cientistas alertam que nenhuma pesquisa atual comprova propriedades milagrosas ou aplicações clínicas consolidadas. A maior parte dos estudos permanece em fases laboratoriais. Especialistas também reforçam que é comum informações científicas serem distorcidas quando viralizam nas redes.

O debate traz novamente à tona uma discussão mais ampla: a necessidade de mais investimentos em pesquisas sobre saúde feminina, historicamente negligenciada pela medicina tradicional. Enquanto isso, pesquisadores seguem investigando as reais possibilidades terapêuticas do sangue menstrual — com cautela e rigor científico.