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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu, em 2005, um relatório secreto durante o primeiro governo Lula, apontando a frustração do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com a gestão petista. O documento, divulgado após pedido com base na Lei de Acesso à Informação, revela que o MST alimentava a expectativa de apoio do governo para mobilizar a reforma agrária, mas se sentiu desiludido, acusando o governo de não enfrentar a questão e priorizar o agronegócio.


O relatório, classificado como secreto por 30 anos, descreve a relação de "dubiedade" do MST com o governo, destacando que, apesar da insatisfação, o movimento manteve o diálogo com o Planalto. O documento também aborda a visão do MST sobre uma possível guinada autoritária do governo contra o movimento social, expressando desconfiança em relação à postura do governo diante das ocupações.


O MST, segundo a Abin, acreditava em uma ameaça de repressão e violência por parte do governo, acionando o aparato estatal para manter a ordem pública. O relatório ainda contextualiza a atuação do MST em diferentes governos, destacando sua vulnerabilidade durante a gestão de Fernando Collor e seu posicionamento como inimigo de Fernando Henrique Cardoso, a quem acusava de adotar estratégias para desmoralizar o movimento.


O documento também analisa as razões da fundação do MST em 1984, identificando influências do socialismo científico. Contudo, apesar da crítica ao governo, o MST não considerava romper com Lula e via a possibilidade de avanço na reforma agrária, mesmo que em um formato distante do idealizado pelo grupo. O relatório não especifica se as informações foram obtidas por fontes abertas ou por meio de infiltrados na inteligência.


Este registro, datado de setembro de 2005, lança luz sobre as relações complexas entre movimentos sociais e governos, revelando nuances da percepção do MST sobre o governo petista na época.