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Quem frequenta o Informativo Camacan, espécie de praça digital da cidade sul-baiana no Facebook, provavelmente já viu um dos anúncios de Alberes Miranda. Na rede social, ele se apresenta como Bhetto Frio. O apelido faz referência aos serviços que oferta nos grupos virtuais da internet. “Soluções especializadas para elétrica, refrigeração e climatização”, diz uma das propagandas.


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No início de 2021, Bhetto foi demitido de uma empresa de segurança terceirizada do Banco do Nordeste, onde trabalhou por 16 anos. Sem o emprego, os serviços que complementavam a renda passaram a ser sua principal fonte de sustento. “Fui procurar o que fazer”, diz ele, relembrando a atitude que tomou naquele dia 7 de janeiro. “Sou eletricista há mais de trinta anos, trabalho com refrigeração, sou adestrador de cães. Tenho um monte de curso, mais de 30. Tô sempre procurando coisa nova”, emenda o trabalhador de 50 anos, em entrevista ao PIMENTA.


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A última “coisa nova” apareceu para Bhetto como caso típico do que o materialismo histórico chamaria de influência direta das condições materiais da realidade sobre a consciência dos sujeitos e sua própria constituição histórica. Com o preço escorchante do botijão de gás, ele decidiu construir um fogão a lenha portátil. Ainda não sabia, mas estava prestes a se iniciar na que viria a ser sua atividade mais rentável, a de artesão.


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Para aprender a nova arte, recorreu à internet e ativou o modo autodidata, no velho processo de tentativa e erro. A primeira versão da obra era, na verdade, um fogareiro de lata. “Não aguentava três meses de uso, desmanchava todo”, relembra. LEIA MAIS