Foto: Reprodução



No dia 28 de setembro de 2023, o acarajé, um dos pratos típicos mais conhecidos da Bahia e de todo o Brasil, conquistou um título especial no Rio de Janeiro: o de patrimônio histórico e cultural. Através do Projeto de Lei 5.836/22, de autoria da deputada Renata Souza (PSOL), a Assembleia Legislativa do estado aprovou, em 2ª discussão, a concessão desse importante reconhecimento. Essa iniciativa ressalta a relevância cultural e histórica que o acarajé representa para o Rio de Janeiro, mas também destaca uma disparidade significativa em relação à Bahia, onde esse prato icônico ainda não recebeu o mesmo reconhecimento.


A decisão de tornar o acarajé um patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro levanta questões interessantes sobre a valorização da cultura alimentar e a preservação das tradições em diferentes partes do Brasil. Enquanto o Rio de Janeiro abraçou o acarajé como parte fundamental de sua identidade cultural, a Bahia, berço do prato, ainda não tomou uma iniciativa semelhante. Para entender essa discrepância, é importante analisar os critérios e procedimentos envolvidos na classificação de bens como patrimônio histórico e cultural.


LEIA MAIS: Ibirataia: SEDESC mantem a tradição e faz distribuição de flores do Dia de Finados no cemitério São João Batista


De acordo com a Constituição Federal de 1988, são considerados patrimônio histórico e cultural os bens materiais ou naturais que possuem grande importância na história da sociedade ou comunidade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desempenha um papel fundamental na identificação e preservação desses bens em todo o país. No caso do Rio de Janeiro, a decisão de reconhecer o acarajé como patrimônio histórico e cultural foi tomada pelo poder legislativo estadual, destacando a autonomia que cada estado possui nesse processo.


Entretanto, na Bahia, o acarajé não desfruta do mesmo status. Nesse estado, apenas o ofício das Baianas de Acarajé foi reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Iphan, enquanto o próprio bolinho de feijão, um dos elementos mais emblemáticos da culinária baiana, não recebeu tal distinção. Isso levanta questões sobre como a cultura e a tradição são valorizadas e protegidas em diferentes regiões do Brasil.


LEIA MAIS: Ibirataia: Aluga-se um ponto ao lado da Igreja Católica


A distinção entre o acarajé e as Baianas de Acarajé é relevante, pois destaca a importância não apenas dos alimentos, mas também das pessoas que os preparam e perpetuam as tradições culturais. As Baianas de Acarajé são figuras icônicas da Bahia, não apenas por sua habilidade em fazer esse prato saboroso, mas também por sua contribuição para a preservação da cultura afro-brasileira, da qual o acarajé é um símbolo importante.