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A pandemia da Covid-19 foi como um furacão que devastou o mundo, já são mais de 4 milhões de mortes e até agora apenas 27,4% da população mundial foi vacinada segundo dados da OMS. Tudo ainda é muito novo e incerto, começamos a ter uma resposta tímida sobre a eficácia da vacina, mas ainda há casos que nos deixam assustados, por exemplo, pessoas que tomaram as duas doses e mesmo assim vieram a óbito.
A educação é uma das ferramentas que combate a desigualdade social, estamos sentindo na pele o prejuízo que as faltas das aulas presenciais estão fazendo na vida de crianças, jovens e adultos. Mas alguns questionamentos não devem ser deixados de lado apenas para nutrir a vontade de voltar as aulas presenciais a qualquer preço, apostando vidas em uma suposta normalidade. Todo cuidado deverá ser levado a sério!
“A volta às aulas nas escolas não será simples e nem fácil. Estudos desenvolvidos pela Universidade de Harvard apontam efeitos da pandemia na educação, orientando que professores precisam estar preparados para lidar com crianças que voltarão às escolas com medo e com a saúde emocional afetada. Crianças e adolescentes acuados, desesperados, com estresse familiar, violência doméstica, a ideia de perder familiares, de verem seus pais ficarem sem trabalho e ter pouco dinheiro para sobreviver.” (jovem pan)
As escolas ficaram esse tempo todo sem funcionamento, muitas foram degradadas pelo tempo, tiveram suas estruturas danificadas, não foram realizadas adaptações necessárias para que as aulas voltem de forma segura com todas as medidas protetivas necessárias. Algumas perguntas me incomodam como: Os professores estão preparados para essa volta psicologicamente? Os alunos estão sendo preparados pelos pais para essa nova realidade? Quais testes já foram feitos para que essa volta seja mais segura? Quem pode garantir que as crianças são imunes a esse vírus e por isso não tem risco algum de voltar a estudar? Quem garante que as crianças não irão transmitir esse vírus para as pessoas com idade avanças como seus pais e seus avós? São muitos questionamentos ainda estão no ar sem respostas.
Os professores foram rotulados de “preguiçosos” por parte da sociedade pelo fato de não aceitarem a volta às aulas de qualquer jeito. Mas os educandos estavam esse tempo todo, planejando, se adaptando, construindo estratégias, trabalhando doentes, assumindo um papel árduo de não deixar a educação parar, executando tarefas da docência de domingo a domingo sem horário estabelecido, se desgastando mentalmente e fisicamente para cumprir com seu papel de professor, psicólogo, conselheiro, pai, mãe, médico, assistente social, e muitos outros papéis que parecem ser invisíveis a parte da sociedade.
Como professor quero que as aulas retornem o mais rápido possível, mas também desejo que seja com toda segurança e com todas as medidas protetivas que temos direito, até porque também temos família e precisamos protegê-la. E que a sociedade reconheça nosso papel enquanto profissionais humanos, professores humanos, cidadãos humanos que sentem as mesmas dores que qualquer um da sociedade sente, porém, sem fugir da responsabilidade, pois temos a consciência do nosso valor e nem por um segundo recuamos do nosso trabalho, ao contrário do que alguns acham.
E como já dizia Gonçalves Dias: “A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar!” Quando se colocarem em nosso lugar, como professores, tendo empatia pelo que passamos e pelo que iremos passar com o retorno das aulas, talvez compreendam o nosso real valor e que sentimos de verdade.
ROGILDO DE OLIVEIRA
Professor Licenciado em Filosofia




